Há histórias que começam de forma inesperada mas acabam por mudar profundamente a nossa vida.
A do Jynx começou graças a uma seguidora deste blog. 
Foi ela que me trouxe aquele pequeno gatinho preto no dia 22 de julho de 2016. Ele devia ter cerca de dois meses, era pequenino, um pouco descabelado e tinha aqueles “olhinhos de leite” de bebé que ainda não tinham decidido que cor iam ser.

Naquele momento não imaginávamos que aquele encontro simples iria trazer tantos anos de companhia, rotina e pequenos momentos felizes à nossa casa.

O Jynx cresceu e tornou-se presença constante na nossa casa. Era um gato meiguinho, curioso e cheio de pequenas manias que acabaram por se tornar parte da nossa rotina. Ele adorava caixinhas e qualquer caixa servia. Roubava elásticos e molas de cabelo com a maior naturalidade do mundo e transformava-os em brinquedos. Dormia muitas vezes entre nós, enroscado, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo. Havia também pequenos rituais que só quem vive com um animal conhece. O Jynx gostava de nos esperar na entrada de casa, atento ao som da porta a abrir. Aparecia muitas vezes quando eu estava a trabalhar nos meus projetos criativos, como se estivesse ali a supervisionar tudo. E quando eu tentava tirar fotografias, fazia sempre questão de se meter no meio mas quando a fotografia era mesmo para ele, já não olhava para a câmara.

Durante todos estes anos houve uma coisa muito simples que o Jynx nos deu: companhia. Havia sempre um som na casa, um olhar curioso, um gatinho a investigar qualquer coisa. Nunca estávamos verdadeiramente sozinhos. Há poucos dias o Jynx partiu de forma completamente inesperada e ainda estamos a aprender a viver com o silêncio que ficou. Decidimos trazer as cinzas dele de volta para casa e colocá-las numa vitrine no hall de entrada, exatamente o lugar onde ele gostava de estar à nossa espera quando chegávamos e batia na porta de vidro ando íamos dormir. É um gesto pequeno, mas cheio de significado.

Nos últimos dias encontrei também conforto ao dedicar algumas páginas do meu caderno ao Jynx. Entre colagens, pequenas memórias, fotografias e frases, vou guardando pedaços da história dele. Não é uma forma de “fechar” o luto, mas sim uma maneira de transformar a saudade em memória viva. Cada página torna-se um pequeno gesto de carinho, uma forma silenciosa de agradecer pelos anos de companhia que tivemos.

E também uma forma de lembrar que a história do Jynx não começou apenas conosco. Ela começou com um gesto de alguém desta comunidade. Por isso quero deixar aqui um agradecimento sincero à seguidora que o trouxe até nós. Sem esse gesto, nunca teríamos tido estes anos de amor, companhia e pequenas aventuras.

O Jynx deixou a nossa casa mais cheia durante muito tempo e deixou, como escrevi numa das páginas do meu journal, "para sempre patinhas no nosso coração".