Há histórias que começam de forma completamente inesperada… e acabam por mudar tudo.
A do Jynx começou graças a alguém desta pequena comunidade, uma de vocês.
Foi uma seguidora deste blog que, no dia 22 de julho de 2016, me trouxe um pequeno gatinho preto. Devia ter uns dois meses, era pequenino, um bocadinho despenteado e com aqueles olhinhos de bebé que ainda não tinham decidido que cor queriam ser.

Naquele momento, não fazia ideia do que estava a começar ali. Acho que nenhum de nós fazia.

O Jynx cresceu connosco. Tornou-se parte da casa, da rotina, dos dias bons e dos dias mais difíceis.
Era meiguinho, curioso, cheio de pequenas manias que, sem darmos conta, passaram a ser “coisas nossas”.

Adorava caixinhas (qualquer caixa servia, claro). Roubava elásticos e molas de cabelo como se fosse a coisa mais normal do mundo e transformava-os em brinquedos. Dormia muitas vezes entre nós, enroscado, como se aquele fosse o lugar mais seguro do universo.

Esperava-nos à porta, atento ao som da chave.
Aparecia sempre quando eu estava a trabalhar nos meus projetos, como um pequeno supervisor.
E tinha aquele talento especial: estragar fotografias… a menos que fossem para ele... aí já não queria saber da câmara 😅

Havia sempre qualquer coisa: um som, um olhar, um movimento.
Nunca estávamos verdadeiramente sozinhos.

Há poucos dias, o Jynx partiu. Foi inesperado. E ainda estamos a aprender a lidar com o silêncio que ficou.

Decidimos trazê-lo de volta para casa, de outra forma. As cinzas estão agora numa vitrine no hall de entrada... exatamente no sítio onde ele gostava de nos esperar. Onde ficava atento à porta. Onde ainda parece que faz sentido procurá-lo.

Nos últimos dias, também tenho encontrado algum conforto no meu journal. Tenho dedicado páginas ao Jynx, colagens, fotografias, pequenas memórias, sentimentos, frases soltas.
Não para “fechar” nada. Mas para guardar. Para continuar a dar-lhe espaço na minha vida, de outra forma.

Transformar a saudade em algo que ainda posso tocar.

E no meio disto tudo, há uma coisa que não me sai da cabeça:
a história do Jynx não começou só connosco.

Começou aqui.
Começou com alguém desta comunidade.

Por isso, quero mesmo dizer obrigada.
A quem o trouxe até nós e, de certa forma, a todos vocês que estiveram por aqui ao longo destes anos.

Sem esse gesto, não existiam estes anos de amor, de companhia, de rotinas partilhadas, de pequenos momentos que acabaram por ser tudo.

O Jynx encheu a nossa casa durante muito tempo.
E deixou, como escrevi no meu journal…

“patinhas para sempre no nosso coração.” 🐾